quinta-feira, 31 de maio de 2012

 

Relatório do XIV Encontro Sergipano de História 



   O XIV Encontro Sergipano de História foi realizado pelo Departamento de História ( DHI ) da UFS ( Universidade Federal de Sergipe ) entre os dias 28 a 31 de maio de 2012. E que teve como organizadores o Prof. Dr. Lourival Santana Santos, o Prof. Dr. Antônio Fernando de Araújo Sá e pelo Prof. Msc. Claudefranklin Monteiro Santos. Tendo como auxiliares os alunos do PET ( Programa de Educação Tutorial ) Andrey Augusto Ribeiro dos Santos e Edvaldo Alves de Souza Neto, além de muitos outros, incluíndo nesta lista alunos do PET e monitores.

   Este evento foi financiado e teve o apoio do Banco do Brasil, IHGSE ( Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe ), PET História/UFS, SEMED/ Aracaju, Sintese, Proex e pelo Proest. E tinha como principal intuito homenagear José Ibarê Costa Dantas ( 1939 - ). Tanto pela sua contribuição na historiagrafia sergipana e até mesmo brasileira, considerando-se seus estudos no campo da História Política de Sergipe. E até mesmo pela ativa participação que Ibarê Dantas representou e ainda representa na História e na Historiografia sobre o IHGSE, já que ele presidiu o Instituto de 2004 a 2009.

   No primeiro dia - dia 28 - do evento tivemos o credenciamento pelos turnos da manhã e da tarde. Sendo realizado a noite a cerimônia de abertura da semana,  pelos Dr. Prof. Lourival S. Santos e pelo Prof. Dr. Frederico Neves ( UFCE ). Nesta cerimônia também estava presente o então intelectual sergipano homenagiado e motivo de todo o evento José Ibarê Costa Dantas. Este nasceu no município de Riachão do Dantas em 1939. E formou-se em História pela UFS, tendo posteriormente feito Mestrado em Ciências Políticas pela Unicamp. Ele lecionou na UFS entre os anos de 1970 e 1994. Tendo inicialmente ministrado as aulas de sociologia desta instituição.

   Durante o segundo dia - dia 29 - tivemos a honra de escutar a Prof. Dr. Terezinha Alves Oliva ( IPHAN ) na mesada redonda. Que iniciou sua fala citando algo que Ibarê havia lhe falado no passado: A vida é curta para tanta história.  Logo em seguida ela seguiu sua fala citando o livro Tenentismo em Sergipe de Ibarê Dantas, lançado em 1974 - este livro, segundo Terezinha, teria ganho um respaldo significativo em Sergipe e em todo o Brasil na época que foi lançado. O que teria levado a estima e o papel dos historiadores sergipanos a ganhar uma posição importante na sociedade. Ela também discorreu sobre a real busca que este autor tem em seus livros no geral. No qual ele busca criar uma imagem e uma leitura da sociedade sergipana no período republicano. Além é claro das inúmeras "pontes" que ele criar entre os seus temas e o presente.

   Depois de tudo isso ela volta a falar que para Ibarê Dantas o tenentismo teria sido o principal movimento do Nordeste e em especial o de Sergipe. 

   Após a fala da Terezinha Oliva tivemos o prestígio de ouvir o então Presidente do IHGSE ( sendo ele o sucessor de Ibarê Dantas ) Prof. Dr. Samuel Barros de M. Albuquerque que nos falou bastante do instituto e sobre a comemoração do centenário do IHGSE. Sendo ele seguido pelo jurista Prof. Msc. José Afonso do Nascimento que devido a moitvos não esclarecidos não conseguiu abordar de maneira consistente o tema da mesa redondo. 

   Ao fim de uma manhã cheia de emoções seguiu-se os mini-cursos das 14 ás 18 horas. Eu optei por assistir o da Prof. Dr. Edna Maria Matos Antônio que abordou sobre a independência do Brasil e de Sergipe de forma muito agradável. Ela, a professora Edna, iniciou sua palesta falando e discutindo com a turma sobre as diversas versos que há sobre a Independência do Brasil. Dando enfoque para a visão positivista: na qual uma única pessoa ( no caso em questão, D. Pedro I ) teria sido o principal motivador da independência. É importante frisar aqui que este enfoque dado por ela tem como motivo esta ser a versão mais difundida na população em geral. 

   Assim ela continua citando as interpretações históricas sobre a independência do Brasil. Que teriam raízes políticas e econômica. Além claro da influência sofrida pelo Brasil de toda uma conjuntura internacional. Terminando o primeiro dia, de mini-curso, afirmando que estudos recentes têm mostrado que a independência não é um mero reflexo das atitudes tomadas no núcleo Rio de Janeiro/ São Paulo. 

   O segundo dia terminou com a celebre e inesquecível participação do Prof. Dr. Francisco José Alves ( DHI-UFS ) que abordou de forma fantástica uma das obras do Ibarê Dantas. O mesmo fez o Prof. Dr. José Vieira Cruz ( Unit-SE ) que de maneira simples e concisa apresentou sua análise sobre a obra de Ibarê Dantas.

   O terceiro dia - dia 30 - iniciou-se com a apresentação de nosso colega de curso Eduardo Augusto ( Graduando no curso de História da UFS ) na sessão de comunicações. Depois da apresentação dele tivemos a apresentação de inúmeras outras pessoas mais temos que destacar a apresentação de Priscila, do Rafael ( orientando do Prof. Msc. Bruno Alvaro, que na ocasião era o mediador das comunicações ) a da Marlíbia, além da incrível apresentação do projeto do Prof. Dr. Eduardo Pina que nos permitiu conhecer um pouco desta tese que ele esta desenvolvendo.

   Seguindo as comunicações tivemos a continuação dos mini-cursos do dia anterior. No qual a Prof. Dr. Edna Matos nos passou detalhes e levantou questionamentos sobre Sergipe eo contexto da independência. Nos mostrando todo um panorama nacional e até mesmo internacional. Mais ressaltando que a independência daqui como de outros lugares também teria sido influênciada por fatores internos, da própria  localidade. 

  Para terminar o mini-curso ela citou os projetos políticos na emancipação do Brasil. E falou da necessidade  havia de as capitanias se unirem a fim de formar um governo provisório no Brasil para eleger deputados e organizar a nossa primeira constituição. 

   A noite tivemos para finalizar o dia uma mesa redonda com o Prof. Dr. Antônio F. de Araújo Sá ( DHI - UFS ) e com o Prof. Dr. Antônio Lindvaldo Souza ( DHI - UFS ), sendo estes coordenados pela Prof. Dr. Edna Maria Matos Antônio ( DHI - UFS ).

   No último e grandioso dia - dia 31 - tivemos uma conferência com o próprio Ibarê Dantas, motivo de discursões extremamente produtivas nos dias anteriores. 

   Este de forma inefável falou com bastante clareza sobre sua biográfia e sobre sua produção. Citando desde os bastidores de suas principais obras até a obra que será lançada no centenário do IHGSE. Abordou também com extrema propriedade sobre assuntos do Sergipe republicano. Esta conferência foi coordenada pelo Prof. Dr.Fernando Sá. 

   Assim terminou o Encontro Sergipano de Hisória nos mostrando o real e intrínseco elo entre a Universidade Federal de Sergipe ( UFS ) e o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe ( IHGSE ). Além é claro de nos possibilitar ter um contato real com um dos principais ou o principal historiador e intelectual sergipano ainda vivo José Ibarê Costa Dantas.








segunda-feira, 28 de maio de 2012


Análise comparativa do discurso modernizador das cidades de Sorocaba e Aracaju



   Inúmeras cidades, para ser mais exato o Brasil quase por inteiro, tentaram implantar no final o século XIX início do século XX o modo de ser dos europeus nos seus habitantes. Em suma, um número significativo de cidades brasileiras tentaram e muitas delas conseguiram importar a cultura européia para as suas cidades. Como assim? Simples, a partir desta "importação",desejada por boa parte da elite local, toda a população deveria se portar como um "bom" e "civilizado" europeu. Tornando-se este o único modo aceitável e modelo para toda uma sociedade. Independentemente dos anseios das pessoas que formavam toda a cidade.

   Contudo, essas imposições ignoravam o fato do Brasil ser muito adverso do mundo europeu. Tanto no que se refere a clima, vegetação, quanto no que toca a nossas tradições, costumes, a cultura que nos havíamos construído em si. Ao longo de quatro séculos. Mas, apesar de todas essas contradições Sorocaba e Aracaju estavam dispostas a apagar o seu passado e construir uma nova história. Onde elas agora seriam cidades modernas, industrializadas. Ambas desejavam uma nova arquitetura, uma nova urbanização, novas casas, prédios, instituições, idéias, uma nova memória, e principalmente um novo estilo de vida. Que se assemelhasse é claro ao europeu.

   É devido a todas essas contradições e a todo esse desejo de mudar. Que Sérgio Buarque de Holanda  afirma em seu livro: Raízes do Brasil. ..."Que somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra". Vê-se que para ele essas mudanças teriam nos tornado uns estranhos em nossa própria terra. Pois a nossa cultura, no geral, não se adequa a nossa realidade.

   Voltando ao tema que me levou a redigir este texto vamos agora analisar como é que se deu a construção do discurso modernizador em Sorocaba. Para isso analisaremos a idéia de modernidade veiculada na cidade desde 1903 por alguns setores sociais ( neste caso a elite Sorocabensse ).

   A elite de Sorocaba concretizou o seu avanço através da denominação Manchester Paulista. Esse termo segundo seus construtores representava "um salto qualitativo na sua produção econômica, em suas relações sociais, na importância política e cultural de seus habitantes". Algo extremamente similar o que estava ocorrendo na nova capital de Sergipe na primeiras décadas de XX, Aracaju. Aqui como em Sorocaba a elite acreditava que modernizar a cidade traria como consequência imediata, o progresso da cidade.

   Assim para conseguir a tão desejada modernização ambas tentaram apagar o seu passado. Sorocaba tentou pôr para "debaixo do tapete" que até o século XIX estava ligada a grande feira de muares. Que era conhecida como a maior fornecedora de animais para o transporte de carga da região sudeste. Aracaju em contrapartida não tinha muito o que esconder já que era uma cidade ainda muito nova tendo sido transferida em 1855. Ela em si já havia sido pensada para ser uma cidade moderna, modelo. Muito diferente de São Cristóvão, a antiga capital de Sergipe, que era uma cidade essencialmente colonial.

   Sergipe tinha como principal elemento do seu passado a criação do gado e a produção da cana-de-açúcar. Além de enormes problemas sociais, estruturais e arquitetônicos. Pelo menos era essa a imagem que a elite sergipana tinha do Estado. E isso, para eles era bastante vergonhoso. E não deveria se repetir na nova capital do Estado, Aracaju.

   Tanto Sorocaba quanto Aracaju tiveram como ponta pé inicial a implantação da indústria têxtil. E tinham como principal tendência econômica e política as idéias liberais, evolucionistas, positivistas. Ambas as cidades foram ao encontro do progresso e passaram a defender seu centro urbano como um espaço de prosperidade, onde as mais "modernas" técnicas  industriais  eram aplicadas para o "bem de seus habitantes".

   Vejam que coloquei alguns termos entre aspas para indicar a falta de veracidade destes. Pois, não obstante a ardua luta empregada pelas elites de Sorocaba e Aracaju para se tornarem cidades modernas ( ao estilo europeu, em especial o que estava sendo empregado na França no mesmo período ) nas décadas de 10 e 20 do século XX. Isso não ocorreu de fato. Nenhuma das duas cidades conseguiu apagar e dizimar o passado que elas tinham.

   Elas lutaram e por bom tempo o discurso modernizador das elites dessas duas cidades conseguiu "maquiar" o passado destas. A supremacia deste discurso foi quase que total ao longo de décadas.Poucos criticaram ou verificaram a veracidade deste discurso de elite. Um dos poucos que contrariou este discurso foi o francês Paulo Walle. Ao afirmar que Sergipe era um Estado atrasado e Aracaju uma verdadeira "cidade de palhas".


   Todavia, pesquisas recentes têm revelado o outro lado da modernização. O lado dos "pobres homens" que trabalharam nas indústrias para a "modernização" destas cidades. É com base no relato destes que conseguimos ver as várias epidemias que ocorreram naquela época, o modo precário e quase desumano no qual eles eram obrigados a trabalhavam nas fábricas, a dificuldade que eles enfrentavam para chegar ao trabalho - devido a falta de urbanização e saneamento nos bairros pobres da cidade -, o precário sistema de educação e saúde, sem falar do pequeno salário que os operários recebiam em troca de muito trabalho e produtividade.

   Foi nesse contexto de miséria e inúmeros problemas sociais, políticos e econômicos que o surgiu o discurso modernizador das elites de Aracaju e Sorocaba. Portanto, é imprescindível antes de qualquer estudo olhar as duas versões apresentadas. Tanto a da elite quanto a da população marginalizada. Para podermos então criar nossas hipóteses e procurar algumas respostas aos questionamentos que forem sendo apresentados.









domingo, 27 de maio de 2012

Relatório de Viagem: A Sociedade e Criação do Gado na Contiguiba 



A Sociedade e Criação do Gado 



    Esta viagem foi organizada pelos graduandos do 5º período, Gleidson Brito dos Santos e Erich Gabriel, do curso de História da UFS ( Universidade Federal de Sergipe ). Para um sítio na região da Contiguiba a fim de vislumbrar melhor como é que se da de fato a criação de gado aqui em Sergipe, além de nos possibilitar entender melhor como a sociedade do gado se estabeleceu em Sergipe.

   O principal intuito desta viagem é concluir um video requerido na disciplina História de Sergipe II, ministrada pelo professor Dr. Antonio Lindvaldo da istituição UFS. Este vídeo do qual eu e o Erich ficamos encarregados tem o objetivo de mostrar como era a sociedade e a criação do gado em Sergipe no período Colonial.

   Iniciamos nossas filmagens e o nosso acervo de fotos numa outra viagem. Esta outra viagem foi ao Sertão de Sergipe, especificamente a Garuru e a Porto da Folha. Onde nos filmamos e tiramos fotos do sítio do senhor Pedro. Que nos deu uma imagem particular de como era a criação de gado nesta região de Sergipe.

   Assim tentando abranger e conhecer ainda mais o nosso tema. Saimos de nossas casas no de 19 de maio de 2012  rumo a Jarapatuba-SE. Para a propriedade ( sítio ) do senhor Pedro Menezes de Brito.

   Ao chegarmos lá, ás 8:00 horas da manha, o clima não diferia muito do clima de todo o  percurso, no qual tivemos que enfrentar muita chuva. Logo que chegamos fomos recebidos pelos proprietários do sítio Pedro M. de Brito e Maria de Lurdes. Que nos recepcioram muito bem.

   A conversa começou a fluir e podemos aprender algumas coisas sobre a criação de gado. Todavia, a viagem estava parecendo um verdadeiro fracasso. A chuva não cessava. O que nos impossibiliva filmar  ou mesmo tirar fotos dos gados e do sítio. Um outro impasse ainda nos aflingia o dono da propriedade teria que sair ás 10:00 da manha. E teriamos que ficar sozinhos com a senhora Maria de Lurdes e a neta dela, Gleydiane Brito.

   Foi exatamente isso o que ocorreu. O proprietario se foi e lá ficamos. A chuva incessante só nos deu tregua ás 11:50 da manhã. A esta hora já tinhamos sido convidados para o almoço, daí só fomos ao serviço depois.

   Somente ás 12:40 da manha é que podemos começar a filmar o gado vacum ( vacas, bois e novilhos ). Podemos observa-los se alimentando e no geral deitados sobre o mato molhado. Aqui próximo a eles constatamos o que o Pedro Brito havia nos relatado. A terra esta muito seca, devido ao rigoro verão pelo qual estava passando Sergipe, e também podemos ver como a vegetação estava escassa o que dificultava a  alimentação do gado. Sendo necessário para complementar a alimentação deles a utilização de cana-de-açúcar, frutas no geral e até mesmo a utilização de ração.


   Depois de observarmos eles em seu habitat natural fomos ver onde eles conseguem sua água. Neste caso em particular é num lago natural. Daí seguimos para o curral aonde eles são vacinados, onde ocorrem o partos das vacas, onde eles são marcados com o simbolo do proprietário, etc. Neste local também se encontra um recipiente artificial do qual o gado também se utiliza para adiquirir água.



   Após termos percorrido todo esse itinerário nada comum e extramamene singular partimos rumo a nossas casas ás 15:00 horas da tarde do mesmo dia. Levando conosco uma experiêncie inesquecível e para lá inusitada e nada convencional.



segunda-feira, 30 de abril de 2012

Seminário: Índios em Sergipe e Índios Xokó ( Hoje )


 Índios em Sergipe e Índios Xokó ( Hoje )

Este evento foi organizado pelo GPCIR ( Grupo de Pesquisa Culturas, Identidades e Religiosidades ) e que teve como coordenado o Prof. Dr. Antonio Lindvaldo Souza, docente da UFS ( Universidade Federal de Sergipe de São Cristóvão )  nas disciplinas de Sergipe I e II. O seminário ocorreu durante os dias 19 e 20 de abril de 2012, no Auditório de Geografia desta instituição.

O seminário tinha o intuito de mostrar a história dos Índios em Sergipe e de como esta história é permeada por praticas violentas empreendida pelos colonizadores europeus, em especial os portugueses. Essa tipo de atitude violenta do colonizador europeu frente aos nativos se estendeu ao longo dos séculos através da expansão do gado ( algo que predominou por séculos e até hoje influencia o Sertão sergipano)  e de outras culturas.

Foi com esta postura prepotente e violenta que o colonizador europeu provocou não só o genocídio mais também o etnocídio das populações que habitavam as terras sergipanas, incluído nesse todo o Índio Xokó, principal motivo deste seminário.

Foi sobre este tema que a ex-professora titular da UFS, a Msc. Beatriz Gois Dantas, com mestrado em antropologia pela Unicamp ( Universidade de Campinas ), tratou nos primeiros 30 minutos do dia 19 de abril ás 19 horas. Ela utilizou-se de slides para ilustrar melhor sua fala.

Na qual ela abordou além do que citei acima, sobre a diversidade dos índios e da percepção quase que unívoca dos europeus frente a estes. Visto que ele os dividia praticamente em dois grupos: os Tupis X os Tapuias. Ignorando toda a multiplicidade de culturas aqui existentes. 

Para ilustrar melhor toda essa complexidade ela nos mostrou os mapas dos grupos indígenas e nos afirmou que ainda hoje há 150 línguas indígenas faladas no Brasil, não obstante aqui em Sergipe só existir uma.
A seguir ela nos falou sobre os Tupinambás e de como o modo de ser índio, ou seja, sua cultura, seu estilo de vida foi reconstituído através de textos e iconografias. Além de notifica sobre a utilização do trabalho indígena na extração do pau-brasil, inclusive aqui em Sergipe.

Para finalizar sua apresentação, que por sinal foi notória embora ela tivesse pouco tempo para discorrer sobre o tema, ela nos falou sobre o índio militarizado e sobre as missões: espaços de cristianização. Que ela dividiu em duas: missão ambulante X aldeamentos.

Seguindo a apresentação de Beatriz G. Dantas, ainda no dia 19 de abril, tivemos a de Pedro Abelardo de Santana que discorreu sobre: A Catequese e a Civilização dos Índios no Império. E de que forma a catequese teria propiciado a “civilização” dos índios do século XIX.

Num terceiro instante Whitney Fernandes “pegou” o microfone e nos falou sobre as atitudes dos Índios de Pacatuba diante da usurpação de suas terras pelos senhores de engenho. Ele nos mostra de que forma se deu este processo através de um slide que ele levou e que continha documentação da época ( 1822-1889 ).

 Finalizando o primeiro dia a comissão organizadora passou a palavra para o público no qual estes fizeram algumas perguntas e poderão participar do sorteio de um livro da Beatriz Gois Dantas.

No dia 20 de abril, segundo dia do seminário, as apresentações iriam ser iniciadas por Hélia Maria de Paula Barreto, porém por problemas de saúde não pode nos presentear com tua presença e com tuas palavras. Portanto, no segundo dia, o seminário foi iniciado pelo geógrafo Avelar Araújo Santos Junior.

Que nos falou sobre O Movimento Indígena, tendo como eixo temático a etnogenia dos grupos indígenas. Para discutir tal assunto ele utilizou-se de um vídeo e de um slide. No qual ele elenca os dados sobre etnias no Brasil levantado pelo IBGE.
Seguindo sua apresentação Avelar Junior fala sobre a distribuição de terras indígenas ao longo do território nacional e de como essa distribuição se mostrou e ainda se mostra extremamente conturbada e injusta para com os índios.

Para terminar as apresentações do segundo e ultimo dia temos a do ex-cacique, Apolônio Xokó, integrante da Tribo ( aldeia ) Xokó que dispensa comentários visto sua propriedade ao falar da aldeia e de sua descontração ao trata de tal tema.  

Ele inicia sua fala descrevendo sua trajetória de vida e de que forma esta se imbrica com a da tribo. Ressaltando é claro os conflitos de terras pelo qual os Xokó passaram em especial o ocorrido na década de 80. Onde afirma o total apoio que eles, os Xokós, receberam de toda a comunidade da Universidade Federal de Sergipe. 

Para terminar o segundo dia assim como no primeiro temos uma rodada de perguntas aos palestrantes, que compunham a mesa, e num segundo momento a realização de um sorteio de livro e adornos que foram confeccionados pelos habitantes da Tribo Xokó.

Relatório de Viagem: Ciclo de Estudos: “O Sertão tem Histórias”


Relatório de Viagem: “O Sertão tem Histórias”



A excursão realizada pelo GPCIR ( Grupo de Pesquisa: Culturas, identidades e religiosidades ) para o sertão sergipano nos dias 14 e 15 de abril de 2012. Foi organizada pelo Dr. Antonio Lindvaldo e por uma equipe de alunos da UFS. Com o intuito de mostrar a todos os que participaram as diversas historias que esta localidade possui em suma sua história local.

Nosso ponto de partida para esta inesquecível viagem nos arredores do sertão foi o posto de gasolina em frente ao Shopping Jardins, ás 06h00min da manhã, e o posto de gasolina em frente à Rodoviária Nova, ás 06h30min da manhã. Daí nós seguimos para a BR 101 e depois estrada adentro rumo a nosso primeiro destino a cidade de Gararu. Logo que chegamos nesta cidade fomos visitar a Igreja matriz Nosso Senhor Bom Jesus dos Aflitos fundada em 1910. Onde o professor doutor, Antonio Lindvaldo, nos mostrou as peculiaridades desta igreja – que se baseava na teologia da libertação – e a diferença que esta apresenta em relação a outras, em especial as divergências desta quando comparada a de Porto da Folha.   

Após visitarmos esta igreja que praticamente localiza-se as margens do Rio São Francisco ( que por sinal nos possibilitou ter uma dimensão significativa do quanto este rio é grande e importante para a região do sertão. Além é claro de sua função de paisagem exuberante em meio aquele amontoado de terras improdutivas e “desérticas” ) fomos ao curral de pedras do senhor Pedro, um homem de mais de 80 anos, ainda na cidade de Gararu.

Esta visita ao curral de pedras foi indubitavelmente uma experiência única. Não só pela beleza das cercas e do curral feito de pedras – pedras estas que são retiradas das imediações e que depois são sobre-postas umas sobre as outras, sem nenhum material que as una e as tornem perfeitamente organizadas, formando as cercas e o curral – mais também pela receptividade, descontração, vitalidade e tamanho conhecimento do senhor Pedro.

Logo que chegamos fomos recepcionados pelo senhor Pedro e por outro senhor também de pouco mais de 80 anos, que segundo Pedro é o responsável pela construção e reconstrução das cercas de pedra, sempre que eles acham necessário.

A propriedade – o sítio – incluindo as cercas e o curral de pedras é algo que pertence à família do senhor Pedro há anos, uma vez que este sítio pertenceu ao seu avô. O que nos leva a conclui que esta cultura do curral de pedras é algo hereditário. Não obstante, o senhor Pedro afirmar que tem duvidas sobre a continuidade de tal pratica, já que ninguém na região nem mesmo os seus filhos sabem como formar estas cercas de pedras.

Saindo do curral de pedras fomos direto para dois restaurantes na cidade de Porto da Folha. Depois de tais episódios o dia ainda estava longe de acabar, já que após de nós alojarmos em hotéis, pousadas ou alojamentos fizemos uma visita no final da tarde a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. De lá fomos jantar e nos preparar para as atividades culturais e o luau que iriam ocorrer na Ilha do Ouro.

No caminho a Ilha do Ouro tivemos a companhia de crianças e adolescentes que faziam parte da quadrilha que mais tarde iria se apresentar para nós.

Ao chegar a Ilha do Ouro nos dirigimos a um espaço público, que fica as margens do rio São Francisco, local onde ocorreriam todas as atrações da noite. O primeiro foi o doutor Lindvaldo que ministrou uma aula sobre as histórias do sertão sergipano, desde a colonização até o século XX. Ele foi seguido por um personagem local, o Antônio Carlos de Aracaju, que falou sobre os índios em Sergipe.

Seguindo esta sequência tivemos a apresentação cômica, no sentido literal da palavra, de nossa amiga de classe Cacilda Missias que ajudou bastante na diversão da noite. Depois disso nós divertimos muito com a apresentação de uma quadrilha local nada convencional. Que soube mesclar de maneira “genial” diversos ritmos musicais para forma uma apresentação singular e que interagiu com todo o público. Após esta apresentação nos deslocamos para as margens do rio São Francisco e demos inicio ao luau que se estendeu até o principio da madrugada.

Não obstante termos chegado tarde tivemos que acorda cedo, já que tínhamos que sair ás 09h00min da manhã.  Para ver as margens do Rio Capibaribe.  Daí foi quando voltamos para a Ilha do Ouro e podemos vislumbrar o Rio São Francisco pelo dia.

Agora só faltava visitarmos um lugar: a aldeia de índios Xokó. Todos estavam super ansiosos com a chegada a Ilha de São Pedro, onde fica a aldeia. Contudo, todo nosso entusiasmo e empolgação tiveram de ser contido e controlado, pois passamos um bom tempo tentando encontrar o caminho que nós levaria até a aldeia.

Foi fantástico o nosso encontro com os habitantes da aldeia Xokó, algo inenarrável. Em especial a apresentação de um de seus rituais públicos.

Passaria horas a fio narrando tal viagem. Todos os nossos empecilhos e surpresas inacreditáveis e bastante produtivas. Por isso, concluo aqui dizendo que a viagem foi muito engrandecedora para todos, em especial no que toca a valorização da história local e do sertão sergipano.