sexta-feira, 16 de julho de 2010

0s "índios" nos livros didáticos ( Texto 2 )


As escolas de ensino fundamental e seus respectivos alunos só lembram dos primeiros habitantes no "dia do descobrimento" do Brasil ou no "dia do índio". Demostando desta forma que eles "beberam" os livros didáticos de história, como fonte histórica única e verdadeira.




Alheios a toda comunidade historicista que trata os "indios" a partir cultura deles. Estas pessoas mantêm o imaginário do "índio" construído pelos cronistas europeus, no século XVI, que é o conjunto de pessoas que vivem em aldeiamentos em paz e harmonia. Estes vivem sem vestimentas, num mundo belo, alegre e puro, de onde eles retiram somente o essencial para a sua sobrevivência. Enfim os nossos primeiros habitantes fazem parte da natureza e vivem em paz coletiva com os animais. Este é um exemplo de discurso preconceituoso e generalizador dos europeus, para com os que aqui estavam antes de sua chegada.




E é esta "verdade histórica" que é escrita nos nossos livros didáticos e posteriormente incutida na cabeça das crianças. Sendo que estas não teram mais a oportunidade de ver e ler sobre os "índios" no ensino médio, ou seja, elas irão carregar esta idéia por toda a sua vida. Já que em geral não se fala dos habitantes americanos que viveram antes de 1492, em meio a sociedade, no governo, na comunidade, no seio familiar, nem mesmo na universidade.




É como se entre os "índios" não existisse tribos diferentes, culturas distintas. Os historiografos, em geral, transformam o todo em uno, na medida em que eles denominam os primeiros habitantes como índio. Mas eles também convertem o uno em todo, pois eles escolhem um modo de ser "índio" e transfiguram em o modo de ser "índio".




Como se coubesse ao historiografo dizer a que cultura todos eles pertencem, denotar o modo de vida que eles têm que ter ou mesmo dizer que todos convivam em harmonia. Isto quem deve falar são eles a partir de sua visão de mundo. E não o historiografo olhar para os primeiros habitantes e deduzir como eles eram e qual foi sua cultura. Pois isto só acaba em anacronismo, etnocentrismo, isto é, em visões preconceituosas e esteriotipadas.




Portanto não se deve lembrar do "índio" somente no dia 19 e dia 22 de abril, pois eles ainda existem e precisam ser recordados sempre, uma vez que eles também fazem parte da nossa sociedade e são um dos integrantes de tamanha miscigenação, que deu origem ao que chamamos ser brasileiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário