sexta-feira, 16 de julho de 2010

Os "índios" nos livros didáticos ( Texto 1 )


Por séculos os "índios" foram tratados como seres selvagens, não-civilizados e antropofagos, pessoas ininteligíveis e indóceis, como se o significado de selvagem ou de qualquer outro termo citado pelos europeus fizesse algum sentido para eles naquela época e até mesmo recentemente.



Mas os cronistas europeus e os historiografos incistem em rotulá-los desta maneira, como uma cultura inferior, um outro "tipo ou raça" de gente. Como se eles não fossem um ser humano como outro qualquer. Este é o tratamento que os nossos primeiros habitantes recebem dos livros didáticos de história, esta visão etnocentrica e europeizada. Carregada de conceitos pré-formulados e pouco preocupados em renovar-se.



É esta idéia de "índio" por exemplo vista no livro didático de Jonathas Serrano, de 1929. "Na época do descobrimento eram sem dúvida os Tupis o elemento mais notável e menos rude no meio da indiana grosseira a anthropophaga". Vê-se com isto que Serrano é um dos muitos historiografos que trata os primeiros habitantes como selvagens, não-civilizados.



E Serrano, assim como alguns europeus e muitas outras pessoas consideram que sua cultura é superior e detentora da verdade, como se sua visão de mundo tivesse sido a escolhida para dizer o que é certo ou errado, desenvolvido ou subdesenvolvido,melhor ou pior, ou ainda, o que é civilizado e não-civilizado. Uma vez que a "Guerra Justa" ocorrida em território sergipano não me pareceu em nada ter sido uma atitude civilizada ou de seres ditos desenvolvidos. Mas sim uma postura de homens toscos e rudes ávidos por terras e que pouco se importavam com o que precisariam fazer para conquistá-las e utilizá-las para proveito próprio.



Todavia Elias Montalvão, que escreveu o livro didático Meu Sergipe em 1916, tem uma visão totalmente contrária à citada logo acima. Já que ele caracterizava o colonizador europeu como um coitado e indefeso, envolto a um amotoado de "animais selvagens". Que eram contrários ao progresso.



Por isso é tão importante observar o que está sendo veiculado nos livros didáticos, pois eles escamoteiam a verdade e apresentam o que sobre dela, se é que sobra algo em alguns casos, como verdade histórica, como algo inteiramente objetivo e nem um pouco anacrônico.







0s "índios" nos livros didáticos ( Texto 2 )


As escolas de ensino fundamental e seus respectivos alunos só lembram dos primeiros habitantes no "dia do descobrimento" do Brasil ou no "dia do índio". Demostando desta forma que eles "beberam" os livros didáticos de história, como fonte histórica única e verdadeira.




Alheios a toda comunidade historicista que trata os "indios" a partir cultura deles. Estas pessoas mantêm o imaginário do "índio" construído pelos cronistas europeus, no século XVI, que é o conjunto de pessoas que vivem em aldeiamentos em paz e harmonia. Estes vivem sem vestimentas, num mundo belo, alegre e puro, de onde eles retiram somente o essencial para a sua sobrevivência. Enfim os nossos primeiros habitantes fazem parte da natureza e vivem em paz coletiva com os animais. Este é um exemplo de discurso preconceituoso e generalizador dos europeus, para com os que aqui estavam antes de sua chegada.




E é esta "verdade histórica" que é escrita nos nossos livros didáticos e posteriormente incutida na cabeça das crianças. Sendo que estas não teram mais a oportunidade de ver e ler sobre os "índios" no ensino médio, ou seja, elas irão carregar esta idéia por toda a sua vida. Já que em geral não se fala dos habitantes americanos que viveram antes de 1492, em meio a sociedade, no governo, na comunidade, no seio familiar, nem mesmo na universidade.




É como se entre os "índios" não existisse tribos diferentes, culturas distintas. Os historiografos, em geral, transformam o todo em uno, na medida em que eles denominam os primeiros habitantes como índio. Mas eles também convertem o uno em todo, pois eles escolhem um modo de ser "índio" e transfiguram em o modo de ser "índio".




Como se coubesse ao historiografo dizer a que cultura todos eles pertencem, denotar o modo de vida que eles têm que ter ou mesmo dizer que todos convivam em harmonia. Isto quem deve falar são eles a partir de sua visão de mundo. E não o historiografo olhar para os primeiros habitantes e deduzir como eles eram e qual foi sua cultura. Pois isto só acaba em anacronismo, etnocentrismo, isto é, em visões preconceituosas e esteriotipadas.




Portanto não se deve lembrar do "índio" somente no dia 19 e dia 22 de abril, pois eles ainda existem e precisam ser recordados sempre, uma vez que eles também fazem parte da nossa sociedade e são um dos integrantes de tamanha miscigenação, que deu origem ao que chamamos ser brasileiro.

Os "índios" nos livros didáticos ( Texto 3)


A historiografia brasileira - e nesta é claro esta incluído os livros didáticos de história como um todo - tem o costume de generalizar os índios como se eles fossem um todo, ou seja, eles aglutinam os primeiros habitantes do Brasil em uma mesma cultura, um só modo de ser indígena. E a historiografia sergipana não foge a regra desta visão preconceituosa e simplista.



Por isso os livros didáticos formadores do imaginário, que a maioria da população tem, sobre o índio. É tão perigoso. Assumindo desta maneira um papel persuasivo.



Devido a isto a populção em geral possui basicamente três conceitos de índios: aquele que vive num mundo livre, belo, colorido e natural; povo injustiçado e excluído da sociedade; ou ainda, conjunto de pessoas não-ativas, que possuem o papel de observador e de objeto do colonizador europeu. Contudo os livros didáticos mais recentes, especificamente os da década de 90 do século XX e os produzidos neste século, trazem um novo ideal de "índio", sujeito que luta para não perder ou recuperar sua terra e liberdade.



Embora esta nova definição esteja sendo abraçada por parte da população ela ainda não conseguiu se sobrepujar aos conceitos anteriormente elaborados e bastante arraigados na "cabeça" da sociedade brasileira. O que quer dizer que o discurso "politicamente correto" advindo da segunda metada do século, ainda não é o resolutor de todo o etnocentrismo construído ao longo da história do Brasil.



Porém é um avanço significativo, pois atualmente aborda-se o índio de maneira menos superficial e anacrônica. Anacrônica porque? Pois anteriormente, entre os séculos XV e XIX, os primeiros habitantes eram vistos a partir da cultura do historiador e do tempo no qual ela fazia parte. Por isso eles eram rotulados como integrantes de uma cultura inferior,pior e até mesmo prejudicial a ordem vigente. Já que eles eram tidos como selvagem, indócil e nocivo à civilização.



Daí vem esta noção esteriotipada, que a maior parcela da sociedade brasileira, possui de índio. Que em geral foi construída na escola e no seio familiar, mas precisamente no ensino fundamental, que é quando os índios são abordaodos com maior frequência ou na verdade quando eles são "estudados", uma vez que no ensino médio eles são revogados da história, como algo irrelevante para a formação da cultura brasileira.



Portanto os livros didáticos são o principais culpados da visão que as pessoas têm dos nossos primeiros habitantes. Já que eles mitificaram um imaginário de índio, a ser difundido e infundido na consciência do povo brasileiro.