
Por séculos os "índios" foram tratados como seres selvagens, não-civilizados e antropofagos, pessoas ininteligíveis e indóceis, como se o significado de selvagem ou de qualquer outro termo citado pelos europeus fizesse algum sentido para eles naquela época e até mesmo recentemente.
Mas os cronistas europeus e os historiografos incistem em rotulá-los desta maneira, como uma cultura inferior, um outro "tipo ou raça" de gente. Como se eles não fossem um ser humano como outro qualquer. Este é o tratamento que os nossos primeiros habitantes recebem dos livros didáticos de história, esta visão etnocentrica e europeizada. Carregada de conceitos pré-formulados e pouco preocupados em renovar-se.
É esta idéia de "índio" por exemplo vista no livro didático de Jonathas Serrano, de 1929. "Na época do descobrimento eram sem dúvida os Tupis o elemento mais notável e menos rude no meio da indiana grosseira a anthropophaga". Vê-se com isto que Serrano é um dos muitos historiografos que trata os primeiros habitantes como selvagens, não-civilizados.
E Serrano, assim como alguns europeus e muitas outras pessoas consideram que sua cultura é superior e detentora da verdade, como se sua visão de mundo tivesse sido a escolhida para dizer o que é certo ou errado, desenvolvido ou subdesenvolvido,melhor ou pior, ou ainda, o que é civilizado e não-civilizado. Uma vez que a "Guerra Justa" ocorrida em território sergipano não me pareceu em nada ter sido uma atitude civilizada ou de seres ditos desenvolvidos. Mas sim uma postura de homens toscos e rudes ávidos por terras e que pouco se importavam com o que precisariam fazer para conquistá-las e utilizá-las para proveito próprio.
Todavia Elias Montalvão, que escreveu o livro didático Meu Sergipe em 1916, tem uma visão totalmente contrária à citada logo acima. Já que ele caracterizava o colonizador europeu como um coitado e indefeso, envolto a um amotoado de "animais selvagens". Que eram contrários ao progresso.
Por isso é tão importante observar o que está sendo veiculado nos livros didáticos, pois eles escamoteiam a verdade e apresentam o que sobre dela, se é que sobra algo em alguns casos, como verdade histórica, como algo inteiramente objetivo e nem um pouco anacrônico.

