segunda-feira, 30 de abril de 2012

Seminário: Índios em Sergipe e Índios Xokó ( Hoje )


 Índios em Sergipe e Índios Xokó ( Hoje )

Este evento foi organizado pelo GPCIR ( Grupo de Pesquisa Culturas, Identidades e Religiosidades ) e que teve como coordenado o Prof. Dr. Antonio Lindvaldo Souza, docente da UFS ( Universidade Federal de Sergipe de São Cristóvão )  nas disciplinas de Sergipe I e II. O seminário ocorreu durante os dias 19 e 20 de abril de 2012, no Auditório de Geografia desta instituição.

O seminário tinha o intuito de mostrar a história dos Índios em Sergipe e de como esta história é permeada por praticas violentas empreendida pelos colonizadores europeus, em especial os portugueses. Essa tipo de atitude violenta do colonizador europeu frente aos nativos se estendeu ao longo dos séculos através da expansão do gado ( algo que predominou por séculos e até hoje influencia o Sertão sergipano)  e de outras culturas.

Foi com esta postura prepotente e violenta que o colonizador europeu provocou não só o genocídio mais também o etnocídio das populações que habitavam as terras sergipanas, incluído nesse todo o Índio Xokó, principal motivo deste seminário.

Foi sobre este tema que a ex-professora titular da UFS, a Msc. Beatriz Gois Dantas, com mestrado em antropologia pela Unicamp ( Universidade de Campinas ), tratou nos primeiros 30 minutos do dia 19 de abril ás 19 horas. Ela utilizou-se de slides para ilustrar melhor sua fala.

Na qual ela abordou além do que citei acima, sobre a diversidade dos índios e da percepção quase que unívoca dos europeus frente a estes. Visto que ele os dividia praticamente em dois grupos: os Tupis X os Tapuias. Ignorando toda a multiplicidade de culturas aqui existentes. 

Para ilustrar melhor toda essa complexidade ela nos mostrou os mapas dos grupos indígenas e nos afirmou que ainda hoje há 150 línguas indígenas faladas no Brasil, não obstante aqui em Sergipe só existir uma.
A seguir ela nos falou sobre os Tupinambás e de como o modo de ser índio, ou seja, sua cultura, seu estilo de vida foi reconstituído através de textos e iconografias. Além de notifica sobre a utilização do trabalho indígena na extração do pau-brasil, inclusive aqui em Sergipe.

Para finalizar sua apresentação, que por sinal foi notória embora ela tivesse pouco tempo para discorrer sobre o tema, ela nos falou sobre o índio militarizado e sobre as missões: espaços de cristianização. Que ela dividiu em duas: missão ambulante X aldeamentos.

Seguindo a apresentação de Beatriz G. Dantas, ainda no dia 19 de abril, tivemos a de Pedro Abelardo de Santana que discorreu sobre: A Catequese e a Civilização dos Índios no Império. E de que forma a catequese teria propiciado a “civilização” dos índios do século XIX.

Num terceiro instante Whitney Fernandes “pegou” o microfone e nos falou sobre as atitudes dos Índios de Pacatuba diante da usurpação de suas terras pelos senhores de engenho. Ele nos mostra de que forma se deu este processo através de um slide que ele levou e que continha documentação da época ( 1822-1889 ).

 Finalizando o primeiro dia a comissão organizadora passou a palavra para o público no qual estes fizeram algumas perguntas e poderão participar do sorteio de um livro da Beatriz Gois Dantas.

No dia 20 de abril, segundo dia do seminário, as apresentações iriam ser iniciadas por Hélia Maria de Paula Barreto, porém por problemas de saúde não pode nos presentear com tua presença e com tuas palavras. Portanto, no segundo dia, o seminário foi iniciado pelo geógrafo Avelar Araújo Santos Junior.

Que nos falou sobre O Movimento Indígena, tendo como eixo temático a etnogenia dos grupos indígenas. Para discutir tal assunto ele utilizou-se de um vídeo e de um slide. No qual ele elenca os dados sobre etnias no Brasil levantado pelo IBGE.
Seguindo sua apresentação Avelar Junior fala sobre a distribuição de terras indígenas ao longo do território nacional e de como essa distribuição se mostrou e ainda se mostra extremamente conturbada e injusta para com os índios.

Para terminar as apresentações do segundo e ultimo dia temos a do ex-cacique, Apolônio Xokó, integrante da Tribo ( aldeia ) Xokó que dispensa comentários visto sua propriedade ao falar da aldeia e de sua descontração ao trata de tal tema.  

Ele inicia sua fala descrevendo sua trajetória de vida e de que forma esta se imbrica com a da tribo. Ressaltando é claro os conflitos de terras pelo qual os Xokó passaram em especial o ocorrido na década de 80. Onde afirma o total apoio que eles, os Xokós, receberam de toda a comunidade da Universidade Federal de Sergipe. 

Para terminar o segundo dia assim como no primeiro temos uma rodada de perguntas aos palestrantes, que compunham a mesa, e num segundo momento a realização de um sorteio de livro e adornos que foram confeccionados pelos habitantes da Tribo Xokó.

Relatório de Viagem: Ciclo de Estudos: “O Sertão tem Histórias”


Relatório de Viagem: “O Sertão tem Histórias”



A excursão realizada pelo GPCIR ( Grupo de Pesquisa: Culturas, identidades e religiosidades ) para o sertão sergipano nos dias 14 e 15 de abril de 2012. Foi organizada pelo Dr. Antonio Lindvaldo e por uma equipe de alunos da UFS. Com o intuito de mostrar a todos os que participaram as diversas historias que esta localidade possui em suma sua história local.

Nosso ponto de partida para esta inesquecível viagem nos arredores do sertão foi o posto de gasolina em frente ao Shopping Jardins, ás 06h00min da manhã, e o posto de gasolina em frente à Rodoviária Nova, ás 06h30min da manhã. Daí nós seguimos para a BR 101 e depois estrada adentro rumo a nosso primeiro destino a cidade de Gararu. Logo que chegamos nesta cidade fomos visitar a Igreja matriz Nosso Senhor Bom Jesus dos Aflitos fundada em 1910. Onde o professor doutor, Antonio Lindvaldo, nos mostrou as peculiaridades desta igreja – que se baseava na teologia da libertação – e a diferença que esta apresenta em relação a outras, em especial as divergências desta quando comparada a de Porto da Folha.   

Após visitarmos esta igreja que praticamente localiza-se as margens do Rio São Francisco ( que por sinal nos possibilitou ter uma dimensão significativa do quanto este rio é grande e importante para a região do sertão. Além é claro de sua função de paisagem exuberante em meio aquele amontoado de terras improdutivas e “desérticas” ) fomos ao curral de pedras do senhor Pedro, um homem de mais de 80 anos, ainda na cidade de Gararu.

Esta visita ao curral de pedras foi indubitavelmente uma experiência única. Não só pela beleza das cercas e do curral feito de pedras – pedras estas que são retiradas das imediações e que depois são sobre-postas umas sobre as outras, sem nenhum material que as una e as tornem perfeitamente organizadas, formando as cercas e o curral – mais também pela receptividade, descontração, vitalidade e tamanho conhecimento do senhor Pedro.

Logo que chegamos fomos recepcionados pelo senhor Pedro e por outro senhor também de pouco mais de 80 anos, que segundo Pedro é o responsável pela construção e reconstrução das cercas de pedra, sempre que eles acham necessário.

A propriedade – o sítio – incluindo as cercas e o curral de pedras é algo que pertence à família do senhor Pedro há anos, uma vez que este sítio pertenceu ao seu avô. O que nos leva a conclui que esta cultura do curral de pedras é algo hereditário. Não obstante, o senhor Pedro afirmar que tem duvidas sobre a continuidade de tal pratica, já que ninguém na região nem mesmo os seus filhos sabem como formar estas cercas de pedras.

Saindo do curral de pedras fomos direto para dois restaurantes na cidade de Porto da Folha. Depois de tais episódios o dia ainda estava longe de acabar, já que após de nós alojarmos em hotéis, pousadas ou alojamentos fizemos uma visita no final da tarde a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. De lá fomos jantar e nos preparar para as atividades culturais e o luau que iriam ocorrer na Ilha do Ouro.

No caminho a Ilha do Ouro tivemos a companhia de crianças e adolescentes que faziam parte da quadrilha que mais tarde iria se apresentar para nós.

Ao chegar a Ilha do Ouro nos dirigimos a um espaço público, que fica as margens do rio São Francisco, local onde ocorreriam todas as atrações da noite. O primeiro foi o doutor Lindvaldo que ministrou uma aula sobre as histórias do sertão sergipano, desde a colonização até o século XX. Ele foi seguido por um personagem local, o Antônio Carlos de Aracaju, que falou sobre os índios em Sergipe.

Seguindo esta sequência tivemos a apresentação cômica, no sentido literal da palavra, de nossa amiga de classe Cacilda Missias que ajudou bastante na diversão da noite. Depois disso nós divertimos muito com a apresentação de uma quadrilha local nada convencional. Que soube mesclar de maneira “genial” diversos ritmos musicais para forma uma apresentação singular e que interagiu com todo o público. Após esta apresentação nos deslocamos para as margens do rio São Francisco e demos inicio ao luau que se estendeu até o principio da madrugada.

Não obstante termos chegado tarde tivemos que acorda cedo, já que tínhamos que sair ás 09h00min da manhã.  Para ver as margens do Rio Capibaribe.  Daí foi quando voltamos para a Ilha do Ouro e podemos vislumbrar o Rio São Francisco pelo dia.

Agora só faltava visitarmos um lugar: a aldeia de índios Xokó. Todos estavam super ansiosos com a chegada a Ilha de São Pedro, onde fica a aldeia. Contudo, todo nosso entusiasmo e empolgação tiveram de ser contido e controlado, pois passamos um bom tempo tentando encontrar o caminho que nós levaria até a aldeia.

Foi fantástico o nosso encontro com os habitantes da aldeia Xokó, algo inenarrável. Em especial a apresentação de um de seus rituais públicos.

Passaria horas a fio narrando tal viagem. Todos os nossos empecilhos e surpresas inacreditáveis e bastante produtivas. Por isso, concluo aqui dizendo que a viagem foi muito engrandecedora para todos, em especial no que toca a valorização da história local e do sertão sergipano.